A Mulher e a Cartomante

Conheci essa mulher, de vários nomes, vários trejeitos, várias curvas, várias cores e, sobretudo, várias histórias. Nesta, dizia ela, apaixonada pelos mistérios da vida que só!, se atou numa amiga e partiram no Chevette 85, verde oliva, rumo à cartomante. Luzia disse não acreditar, são essas bobagens da vida pela experiência de se ver o…

A infância está viva! Eu juro, eu vi!

Os gritinhos! Ah! Os gritinhos. Foram ouvidos de longe aqueles gritinho ingênuos da mais pura felicidade. Quem não os ouve não sabe ler o mundo nas entrelinhas e nem nas próprias linhas. Afinal, a evidência dessa felicidade é TAMANHA que o próprio planeta para, entra no mute e fica em slow, de olhos atentos nos…

Preparem-se: gozo no cangote é a nova tendência para o verão 2017!

Don’t touch, it’s gozo! Que as gozadas do Senado na nossa cara estava liberado a gente já sabia, mas agora a moda é outra, é no cangote, em transporte coletivo. Coloquem seus paus para fora e façam seu trabalho em público, a exposição da obra fica a encargo do pescoço alheio. É arte contemporânea. Da…

Eu ouvi, foi um tiro

Foi um tiro! Eu ouvi, foi um tiro! Estamos no campo de concentração. Gritaram cessar fogo, mas estamos invalidados, transparentes, inexistentes, correndo sozinhos, em câmera lenta, sentindo o fogo do sol, o gelo do vento, o fogo das armas, o gelo dos homens fardados e armados. É guerra quente rolando. É canhão, é metralhadora, é…

Já inventaram nome pro medo do novo?

O súbito me incomoda, desregula. Minha órbita dispensa a organização estabelecida, entra em parafuso, pane, sai sem dizer pra onde vai e quando volta. Odeio o de repente. De repente ele disse. De repente ele fez. De repente morreu. Tudo volta ao normal, menos eu. Meu humor morre junto da rotina. Tudo fica quente, abafado,…

Nossa asma de cada dia

Ela era asmática. (Se não era, virou.) A boca tão doce, apertada, enlaçando um lábio noutro, entrelaçando um segredo noutro. Deu um nós nos dedos, outro nos aflitos e conflitos da mente. Apertou a calça jeans e não deixou os olhos afrouxarem. Tentou falar mas a fala a traiu, faltou e nem avisou, mal-educada!. Garganta…

Joga tudo em mim que eu aguento!

Vem! Confia em mim. Joga todos os seus problemas. Pode jogar! Eu aguento! Eletrônicos e objetos cortantes estão no pacote. Se cortar, tenho BAND-AID de personagem, vai até ficar fofo. Se o corte for grande colamos vários, sempre quis um mini-dinossauro colado no corpo, vai ser como uma tatuagem provisória, se ficar cicatriz melhor: tatuagem…

24

Fiz 24. 24 é um número que gera polêmica, piada e, na sua mínima empáfia possível, uma comoção que seja, entre troca de olhares e risadinhas. Sabe-se lá Deus ou historiador peculiar o porquê. Acontece que esta data chega, se você sobrevive a este louco-mundo-louco. Cafonice pura que desperta a preconização em um número tão…

Talvez você entenda quando tiver uma crise de ansiedade

Talvez você entenda. Talvez você entenda quando suas mãos começarem a tremer. Uma avalanche de sentimento te inundar. E seu coração resolver sambar ao ritmo de Brasileirinho. Tão rápido, tão intenso, tão forte, que a qualquer momento seu peito pode se abrir ou mesmo explodir. Talvez você entenda quando seu ouvido ficar rígido em perfeita harmonia…

Olhos de mel

Mergulhei no mel de seus olhos. Olhos tão simpáticos. Tão gentis. Tão apaixonantes. Esbulhados a mirar minha figura na escuridão daquela noite sem estrelas. Olhos que roubaram o brilho da lua e iluminaram os próximos passos, os próximos dias, os próximos sonhos, a próxima visita que me traria teu beijo. Olhos ao castanho mais castanho…

A Nova Onda do Elevador

“Você não pode pisar duas vezes no mesmo elevador, pois outras pessoas e ainda outras, vão exalar.” O interfone tocou em urgência. “Desce”, dizia ele em voz meio chucra meio gripada, lutando contra os ruídos (preciso trocar meu interfone, espero que seu Manoel leia isso e me lembre) “Tua encomenda chegou”. Seu Manoel à parte, chamei…

Eu crio unicórnios (e também não sei mentir)

Eu tenho problemas com mentiras. Sou um péssimo mentiroso desde que me entendo por gente. Quando arriscava uma mentira, por menor que fosse, bastava duas perguntinhas sem pestanejos de minha mãe pra que eu entregasse o jogo. Me embanano. Não sei mentir. Teço narrativas que não se unem. Sou péssimo no improviso e tenho memória…