Âmago

Terras do abismo
Em que me atirei
Não serão nada
Além de poeiras batidas
Em que me matei.

Estirada, assentada, retirada
Deitada, morta, ali.

Uma vida de horror
Uma morte de amor.

O que é a vida
Senão uma poesia
Cantada e falada em prantos
Tristes de amor?!

O que é a morte
Senão a languidez
de quem está de malas prontas
por não ter amor?!

Amor, amor, amor
O que é amor?

Amor real é amor que rima com dor
Amor que sente na alma
Amor que salta
Dá de cara com o chão duro
Imaturo, pedregulho e mutilador.

Amor real é aquele abismo escuro e frio
Que ecoa mas não destoa
Do teu eu aqui de dentro.

Abismo cheio de mistérios etéreos
Que atraem os corações cheios
Tão cheios
Para completar o vazio
Que transborda
Pela borda
Do buraco que me estrebuchei.

Por lá fiquei
Por lá morri.

Voltei apenas pra te levar
Porque haja o que houver
É assim que os amantes românticos fazem
Se sacrificam.

Um amor por uma vida, uma vida por um amor
Uma dor por uma morte, uma morte por uma dor
E nada mais vive em mim
Senão aquele vazio completo
Que um dia chamei de amor.


Poema criado para o curta metragem Âmago (2018)
Foto dos destaques de Geison Durães
Sincero, eu espero
Gui Morais
facebook.com/sinceroeuespero
instagram.com/mr.gmorais
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