Depois de Otelo, Romeu & Julieta e Hamlet: meu bloco de notas

Depois do drama de Otelo ter invadido minhas noites por alguns dias, resolvi ler um drama de meu maior interesse: meu bloco de notas. Quem me conhece também não sabe, mas tenho mania, hábito, chame como quiser, de – quando ficar bravo, triste ou simplesmente em meio a uma epifania – catar o bloco de notas no celular e vomitar por ali mesmo. Não tenho hora, lugar ou filtro, é ali e do jeito que sai, sãih, sm correçãos ou re vi sõ e s!

Pois bem, revisitar minhas anotações foi como ver fotografias transcritas em palavras e lembrar dos momentos mais débeis e, também, mais íntimos meus, praticamente textos-nude. A diferença é que não se trata do meu falo à mostra, mas do que o motiva (ou não).

As anotações são lembranças do passado, que travam um passeio com itinerário no bonde do “comprar fio dental” e que incluem paradas rápidas em recados pra mim mesmo, que me lembram de me amar, me respeitar e deixar o filha da puta partir (ao meio, de preferência). Desabafos, brigas, reflexões e até expressões de momentos em crise… Tudo lá! Escrito! 

Vejo então, um tagarela desmotivado e apreensivo que precisa de ajuda e quero ajudar. Um serzinho frágil que precisa de um afago, que precisa de amor, de atenção, que precisa se lembrar do que realmente importa, que precisa recobrar a consciência, desacelerar, respeitar seu tempo, mudar de vez, esquecer quem lhe fez mal, dar um up, deixar pra trás os erros e, não menos importante, comprar o fio dental.

Se um dia eu vi minha mãe colecionar as fotos de caras e bocas de uma criança que um dia fui, hoje sou o colecionador de fotos não-posadas que – ao contrário das de minha mãe – eu não queria lembrar. As várias facetas registradas de um eu apaixonado e desolado que quer a atenção de um mundo que lhe vira as costas e, por isso, prefere se expor e dissecar num aplicativo de celular, afinal, ao menos naquele diário eletrônico ninguém vai me machucar, magoar e mal posso cobrar uma resposta, um abraço ou atenção, porque sei das limitações do bagulho. Diferente do ser-humano, que sei das limitações e possibilidades e ainda continuo me surpreendendo (ou decepcionando).


Sincero, eu espero
Gui Morais
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