Ansiedade é a culpada pelo fim do mundo

Eu conheço…

Conheço esses pensamentos homicidas e suicidas. Conheço esse alvoroço de acontecimentos que nunca aconteceram. Conheço essas histórias de terror que me vem à cabeça com os que amo de protagonistas. Conheço esses diálogos de ódio apavorado por essas bocas que já me disseram amor. Conheço essa relutância, essa relutância, essa relutância, essa relutância de mandar oxigênio pra dentro do pulmão. Conheço essa dor desesperada de todos os problemas de todas as pessoas de todos os planetas de todos os universos no ombro. Conheço essa língua que INCHA INFLADA AMARROTADA DE TÃO TAMANHO PRA TÃO POUCA BOCA num azedume amargo que envenena todo meu corpo. Conheço essa cabeça bamboleante que gira, giar, gair, agir, agri, argi, arig, argi, agri, agir, gair, giar, gira sem parar me fazendo dançar como qualquer bêbado da madrugada de qualquer dia em qualquer bar que tenha qualquer pinga desde que seja barata.

Conheço esse barULHO MUITO ALTO. ESSE SIlêncio muito baixxxiii… Essas vidas de 50 anos em 5. Essas mortes de 5 anos em 50. Conheço essa luz que me cega bruta, abrupta, compactuada com os oculistas falidos que logo também irão morrer. Esse escuro preto sem demasia, que de tão preto se tornou definição de nada. Essa cabeça assando. Essas mãos congelando. Conheço essa decadência de sentidos que rolam escada abaixo com acenos de Nazaré. Conheço essa bagunça que me espanca e diz que o planeta está rachando no meio e CRAAASH!, vamos cair. Conheço essas mãos tremendo e o coração querendo fugir. Conheço esse mundo que GRITA PELOS PSICÓLOGOS, PSIQUIATRAS E GARIS, pra limpar a sujeira do mundo que está prestes a acabar. Conheço minha contorção muito contorcida que serve de sinfonia os estalos e estragos dos nós feitos em laços afetivos ao decorrer da vida como único aviso: estão prestes a arrebentar, salve-se quem puder, pois agora é cada um por si. O estica dali, estica de cá, cabeça dali, cabeça de cá, alguém pra ali, alguém pra cá, uma vida dali, outra vida de cá, uma rachadura dali, outra de cá, que nunca é suficiente mas logo tudo acabará. Conheço o andar de um lado pro outro esperando acontecer uma breve demonstração de um universo amigável que, como afago, vai nos dizer que tudo ficará bem. Mas não tem universo amigável, não tem afago e não ficará tudo bem. Conheço esse enraizamento repentino, que me gruda no chão oferecimento Super-Bonder, esse imóvel que não consigo me mexer, mas consigo ver, só ver, ver além, muito além, o mundo se desfazer no horizonte.

É o fim. É o fim do mundo. É meu fim. É fim in. É fim dentro. É fim dentro da minha cabeça.

Mas só da minha cabeça.

A mandíbula trava. A coluna trava. A alma trava. Trava! Os olhos estalam feito duas gemas e não é Ecstasy. Petrificado! O corpo derrete feito A Persistência da Memória e não é doce. Persistente! Sem condições de ser eu mesmo. Sem condições de ser alguém. Sem condições de ser. Sem condições. Inexistente! Uma paralisia do sono com pesadelo dirigido por Hitchcock e nada é real. Nada.  

O vômito explode dentro, visita a boca, mas não vai, prefere ficar mais um pouco, ver o corpo tirar a algema, o mundo tomar Dorflex e a batalha balançar o lenço branco manchado de lamúria.

O planeta dá sua última pirueta. O cansaço é pedra arrastada. Os olhos dizem que é hora de fechar pra balanço. As luzes da cidade viram pontinhos quietos lá longe, no horizonte de um mundo que não vai acabar. (Não agora!) Ouço as risadas do vizinho, os gritos das crianças na rua e os miados do gatinho que ficou preso no bueiro. A vida continua…

Me dou conta de que foi sua visita. 

Ansiedade! Velha amiga indesejada, quanto tempo! Te evitei quanto pude, não atendi suas chamadas, não fui às suas festas e nem seu whats respondi, mas sabia – lá no fundo – que um dia você roubaria minha agenda e viria enquanto a atenção cometia seu adultério. Sabia que o Rivotril não estaria por perto e que eu não teria chances contra você. Agora que já deu seu show, pode ir e não volte nunca mais. Desculpe a sinceridade, mas você não é bem vinda. Agora dê licença, limpe sua bagunça, pegue suas malas de angústias e o primeiro ônibus que passar. Mas, antes de sair, me passe o telefone alguém precisa salvar o pobre gato que mia ali embaixo. 


Sincero, eu espero
Gui Morais
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