Não é assim uma Brastemp, mas meu sobrinho manda ver

Perderam a noção! Descobriram há um tempo (não se sabe quando) a necessidade da publicidade mas não sua importância. O online disseminou, o viral impregnou e a publicidade e propaganda está adoentada. Todos querem comunicar mas ninguém quer pagar.

O que antes era luxo da Brastemp, Coca-cola, Skol e Volkswagen, hoje é desejo do barzinho do Seu Zé. Um desejo que virou uma sic realidade. Seria ótimo se Seu Zé entendesse o que é publicidade pra valer, seu valor, seus meios e trejeitos, entretanto Seu Zé não é publicitário e só quer saber de “valer o seu dinheiro”, seu primo também não, mas afinal de contas será que o dono da Coca é?! Não é seu dever. Quem deve é o profissional, e deve pra Deus e o mundo, por isso o sobrinho deu seu jeito. Só que o sobrinho do Seu Zé aprendeu a mexer no Photoshop aos 11, editando suas fotos pro Orkut, achou que era publicitário, designer, artista e foi vender seu produtinho a 10 reais mais um vale pro busão.

Pobre Seu Zé, acreditou no charlatão, pagou pelo vigarista e vive pleno achando que hoje seu bar é Brastemp e chacota da Skol que paga milhões pra uma única peça de TV. “Sou esperto! Faço tudo digital (pro Seu Empreendedor, digital é Facebook). Um cabra vem aqui, vê o que eu quero, aumenta o logo, coloca um vermelho de fundo pra chamar atenção, aumenta o ‘Promoção’ e manda ver! Porque o mundo de hoje acontece tudo lá, né?! Na tal da Internet.”

Realmente, Seu Zé, Internet tem de tudo do mundo não-cibernético, inclusive notícia fake, perfil fake, gente fake, trabalho fake. Sabe o que é fake? Pergunta pro teu sobrinho que disso ele entende. 

Aí um COMUNICADOR (em caps, assim!, do jeito que Seu Zé gosta, pra garantir a veracidade do termo) estuda 4, 5, 6 anos, desenvolve um método, lê, lê, lê, se informa, pensa na estratégica, na semiótica (“semi o quê?”, pensaria o sobrinho), no neuromarketing (“neuro o quê?”, diria o sobrinho), no neuro, no bio, no lógico, na arquitetura da psicologia de se comunicar, vicia-se em café em nome da profissão, viciado!, viciado em criatividade, o workaholic indiscutível, que vai pro bar e olha o cardápio, que está no trânsito e se atenta à rádio enquanto aprecia a paisagem: outdoor, que se preocupa até em escrever no sulfite de forma que fique visualmente interessante, layout pré-programado, layout incorporado, estudado, planejado, estudado, planejado, estudado, planejado, pronto, precificado, pra ouvir do Seu Zé: mas meu sobrinho cobra mais barato. Vocês estão loucos. Não muito obrigado!

Poxa, Seu Zé, e a velha alquimia do saber ancestral que diziam nossos avós: o barato sai caro? Onde foi parar? Bom, certamente não contigo. Se longe de ti, provavelmente perto dos bons tempos em que a criatividade era ouro e pagava-se tanto quanto. Discutia-se no sofá durante o intervalo da novela das nove, virava papo no barzinho com os amigos, recebia gargalhadas, lágrimas e reflexões como aplausos e ouvia-se “essa propaganda é boa” e não “LEMBRA daquela propaganda do sutiã? Ela ERA boa”, uma pena que o “bom” virou passado, que a publicidade Brastemp, Coca, Skol e Volkswagen tenham ficado pra trás.

Mas se serve de consolo, o sobrinho do Seu Zé também vende ombro amigo a um precinho imperdível, só dizer o tamanho que você quer e mandar ver! 


Sincero, eu espero
Gui Morais
facebook.com/sinceroeuespero
instagram.com/mr.gmorais
perfil

Anúncios

Desabafa

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s