Amor tarja preta: Rivotril tá na moda

A coisa tá preta. Parece que ficar/ser doente é moda, como se ser ansioso, depressivo ou coisa parecida fosse inserção. Os Clubes da Luluzinha e do Bolinha deram lugar para o Clube dos Doentinhos, lá eles reclamam, eles vão ao psiquiatra, eles sofrem, eles se drogam e eles trocam dicas de como agir na próxima crise.

Rivotril deixou de ser remédio, Rivotril, sublingual, tarja isso tarja aquilo é cool é o novo TicTac. Não falamos mais de códigos de barras libidinosos, mas de belas tarjas que desfilam no corredor antipático – bem como os frequentadores – das drogarias.

As papetes do Seninha, as Melissas, os Tamagotchis e as bolsinhas de cachorrinho ficaram pra trás, agora o popular do grupo é aquele que passa mal em eventos, tem medo de avião, não consegue socializar se estiver sóbrio e precisa de um copo de whisky ou um Tegretol pra ser amigável, não feliz, apenas amigável, porque felicidade é outro item que entra na lista dessa galerinha popular que todos querem se igualar, mas – é claro – na lista de exclusão. Primeiro tópico da lista tarja-branca (a que se deve fugir): ser feliz. Não se pode, de maneira alguma, ser feliz, o máximo do estupor de prazer que se pode sentir é o gozo do sexo e, este, ainda deve estar ligado a uma satisfação placeba, parte dos sorrisos enojados e da cabeça que dói em enxaqueca contínua.

O status quo à venda é o do pandemônio, se tudo está de perna pro ar é porque estamos em mais um dia comum na galerinha dorgs, mas se tudo está calmo é preciso de pelo menos uma visitinha no médico, só pra ter algum atestado, sair com um novo laudo ou mesmo pegar mais uma doencinha aqui e ali e por lá mesmo ficar. Imagina só?! Chegar nos amigos e contar que além de ansioso, depressivo e hipocondríaco, conseguiu o veredicto de bipolaridade. Uau! Promoção de cargo social na hora! 

Os redondinhos viraram nossos amores e amigos confidentes: pra eles tudo contamos, com eles em tudo confiamos, neles fingimos ser normais, eles nos acalmam, nos consolam, nos dão força e até nos põe pra dormir. Pena que estão esquecendo do primordial, e não é por falta de Ginkgo Biloba, pois sim, estão esquecendo da única coisa que os acoplados não são capazes de fazer: amar.


Sincero, eu espero
Gui Morais
facebook.com/sinceroeuespero
instagram.com/mr.gmorais
perfil

Anúncios

Desabafa

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s