Fui derrotado pela vida

Sou uma pessoa de poucas conquistas (pra não dizer nenhuma) em dicotomia com minha ambição. Acontece que esta grande vontade de fazer e pouco retorno (pra não dizer nenhum) me derrotaram. 

Minha última derrota foi a prova final da jornada do herói, acontece que eu sou herói, então o gato entre os pombos (ou melhor: o pombo entre os gatos) foi vencido. Chegado no prazo de validade me entreguei às asa doentes e pelugem mal cuidada e me acomodei no meu ninho de tristeza.

Nada mais fez sentido, nada mais me resumiu além de “nada”. Depois de tudo, depois de tantas batalhas (e derrotas) ainda me esforcei em ser mais, minha ambição cochichou no meu ouvido e eu acreditei que era capaz. Então enchi meus pulmões de munição e enfrentei. Vitorioso, pensei, agora vai. Não dessa vez.

Cheguei a acreditar, por um instante, que era possível levar a melhor ao menos agora, depois de tanto preparatório. Iludido. Cai, perdi, não-foi-dessa-vez (e nunca vai ser), opa! Agora não, nem agora, nem agora, nem agora, hm-hm, sinto muito. 

O mundo foi coberto pela massa do horror. A hostilidade se instalou em cada metro quadrado de mim mesmo. A velocidade da luz assumiu o comando dos meus pensamentos. O turbilhão que se sucedeu é simplesmente impossível de descrever: náusea, frio, fome-sem-querer-comer, dor, tristeza, pandemônio ao rebu instalado nas ventas, chorume aromatizador dos ventos, sebo do ar nas vistas e vidros estilhaçados ralando o coração. Deitei na cama, esperei a morte, não veio. Acordei e percebi que nem os planos de suicídio dão certos na minha mão (ainda bem). 

Acontece que pessoas apareceram simpatizadas por meu luto, me fizeram acreditar que esta montante de merda que a vida fez me sentir, esse vazio eloquente que senti, na verdade é uma grande mentira pregada pelo universo brincalhão que quer me ver mal (ou mais forte). Então eles disseram me amar, choram por meu estado degradante, e imploraram pelo meu amor e, bem… percebi algo rugir mansamente, murmurar, vibrar em placebo, e descobri que ainda não morri, estou vivo!, estou vivo porque amo, amo porque estou vivo, não sei dizer.

Pois é, meu queridão. Já sabe onde vou chegar, né?! Perdedor é o Mário que te comeu atrás do armário. Perdedora é o pai!, que deixou o filho sem perdão. Perdedor é o caralho, que vive na boca de otário. Perdedor é você, que acha que títulos são méritos de honraria por estar vivo. Mas senta aqui, que vou te ensinar: a honra de se estar vivo está medida no amor que você sente. E eu, meu não-amigo, amo pra caralho!, e – mais que isso – sou amado pra caralho! Anotou?

Anota mais essa: estou aqui pra registrar que os gritos que ouviram na sacada da Zona 7 foram meus, e aos que não entenderam bulhufas pelo choro demasiadamente pedregulhoso no caminho de minhas palavras, eu te traduzo: pois bem, Deus, Oxalá, universo, Buda ou qual for a entidade que nos rege, vai precisar mais que isso. Vem de novo, vem com mais força, porque eu sou forte e minha ambição não é pequena. Tenta de novo que eu vou estar pronto. Nem Você e nem ninguém vai me derrubar. Quase me pegou. Trave! Achou que ia, einh?! Não foi dessa vez (e nunca vai ser). Porque eu já conquistei o que é preciso pra ser feliz: o amor.

Obrigado por me amar, Gabriel e por não desistir de mim até quando eu tinha desistido. Mas acabou: essa minha ideia de morte. Eu sou seu amor, você é meu amor! E eu vou te provar que sou merecedor de te ter em meus braços e vocês ainda vai ter orgulho de mim. Quer namorar comigo?


Sincero, eu espero
Gui Morais
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