Prova de amor num dia de calor

Na vida (e da vida) temos muitas dúvidas que percorrem nossas veias: ouvir ou falar? Ovo ou galinha? Um beijinho de um lado, um beijinho em cada lado ou mesmo brigadeiro? Açúcar ou adoçante? Viver ou morrer? Sorrir ou chorar? Amar ou odiar? Ser ou não ser? Duvidamos se vivemos o real ou numa matrix, duvidamos do político que promete educação e respeito, duvidamos da bandeira que sugere ordem e progresso, duvidamos da tia que diz não saber da Tupperware que emprestamos semana passada, do cachorro do vizinho que finge não saber de quem é a merda em nosso tapete de boas-vindas, duvidamos do carteiro, dos amigos, da família e duvidamos – indubitavelmente – de nós mesmos.

Esta última representava bem, muito bem obrigado, a minha situação naquela tarde quente de verão em que o sol estalava as ruas e as cucas. Os asfaltos gritavam dissolvendo solas, em sua rebeldia inesgotável, naquela tarde miserável e os couros cabeludos, por sua vez, choravam aos prantos, colados nas testas pedindo pelo amor de Deus me deem sombra, água fresca e shampoo de menta. 

Já este que vos falam, por minha vez, estava inundando o sofá-cama de meu apartamento miúdo atarracado de calor, um pontinho vermelho no meio do mapa colossal divino. O menor movimento me faria degenerar em desidratação fatídica. Por isso, me entreguei ao sofá-cama-movediço que me puxava pra dentro de seus poros escoando no suor gorduroso daquele dia vertiginoso.

Imóvel. Nada me faria sair dali. Nada me separaria daquele móvel também imóvel. Nada me daria forças pra ser eu novamente. Nem um copo d’água tinha poder capacitatório de me fazer levantar, bradar e orgulhosamente me livrar da preguiça debruçada em cada articulação de meu corpo moribundo. Nada. Nada. Nada, além de você.

Pois foi assim que o atemporal foi interrompido pelo rompante contemporâneo ao som do tradicional “tanam” do WhatsApp com a mensagem “vamos nos ver?”. Pois foi assim que eu girei meus olhos pra tela luminosa do celular ao meu lado e vi que era você. Pois foi assim que dei um salto como um atleta olímpico salvando o nome de sua nação nas competições, como um herói, que eu sacudi a preguiça, a morbidez, o suor e a falta de vergonha na cara, para correr (três passos) e me colocar na cadeira dura deste banco incômodo e pouquíssimo ergonômico na qual estou sentado – com dor nas costas – só para ver você na vídeo-chamada que, malandramente, prova ao mundo que a distância não é limite pro amor. Então, meu querido, se um dia tiver dúvidas sobre os meu amor por você, lembre-se deste dia em que eu me livrei das amarras mordazes da preguiça e corri… só pra te ver.


Sincero, eu espero
Gui Morais
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