A infância está viva! Eu juro, eu vi!

Os gritinhos! Ah! Os gritinhos.

Foram ouvidos de longe aqueles gritinho ingênuos da mais pura felicidade. Quem não os ouve não sabe ler o mundo nas entrelinhas e nem nas próprias linhas. Afinal, a evidência dessa felicidade é TAMANHA que o próprio planeta para, entra no mute e fica em slow, de olhos atentos nos gritinhos de felicidade de uma criança. Mas a fortuna do dia foi grande, bolão de fim de ano: eram duas.

Da janela pude observar as duas belezinhas correndo no seu quintal de asfalto, onde ENOOOOORMES torres se ergueram reluzentes e dragões puseram-se a voar pra lá e pra cá. Cenário da plena infância que se apresentou numa dissolução do calor celsius pelo calor humano. Como fluentes darwinianos da imaginação – que não distingue quem é o menino ou a menina, quais seus papeis sociais, qual o significado racional disso e daquilo, quais elementos tecnológicos podemos incluir, quais ofícios devemos prescrever, quais elementos devemos levar adiante e quais devemos abandonar ou mesmo qual vitalidade deve-se levar em conta – as crianças corriam, brincavam e eram felizes. Apenas duas crianças, correndo de um lado pro outro, em zig zag, sem regras, mas com muita diversão em que o bem e o mal existem e o primeiro sempre vence, em que o Danoninho e um copo d’água são suficientes pra uma pausa de descanso e a ansiedade lateja cada pedacinho dos ossinhos de leite para voltar a gastar seus 220 volts na correria que não da vida, mas da brincadeira de se viver.

As pretensões ficaram de lado, as diferenças e semelhanças também. A cena que tomou conta da tarde do bairro periférico era de pura desordem e dessincronia solta, leve, uma afronta ao sistema, às autoridades e ao TOC. Era a rebeldia, o GRITO que brada a plenos pulmões da própria infância reafirmando sua existência, por mais prévia que fosse. 

A infância está salva! Eu não. Derrubei um dos papéis da minha mão e fui chamado de volta à vida, ao cotidiano, ao artificial que instalamos e aceitamos como natural, pleno feriado e eu perdido em meio ao trabalho, virei adulto e me corrompi. As engrenagens do relógio voltaram a funcionar. O calor voltou a ser culpa do aquecimento global. Os carros voltaram a buzinar. As nuvens perderam os formatos divertidos. A torneira voltou a soltar água. As TV’s voltaram a falar. As indústrias voltaram a poluir. As árvores voltaram a ser cortadas. Os cachorros voltaram a se rivalizar com carteiros. As pessoas voltaram a se repelir em seus casulos egoístas. As crianças voltaram pra dentro de casa pedindo seus tablets. E então a vida voltou ao normal, mas de ressaca-feliz, por ter visto – mais uma vez – a inusitada beleza da extinta infância. 


Sincero, eu espero
Gui Morais
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