O dia em que te perdi

Te senti escorrer por entre meus dedos.

Te perdi. A casa vazia, o coração também. Meus pensamentos fazem eco nas paredes do meu estômago e a tinta branca está cheia de pés sujos de quando eu sambava deitado apoiando os pés na parede te esperando pra dar boa noite. Sem mais boa noite ou bom dia, sem mais saudades ou “eu te amo”, sem mais você. Minha vida nunca esteve tão sem sentido como nesse momento. 

Estou bobo. A sensação de liberdade me toma o corpo, a leveza de quem não odeia, não ama, não vive. A leveza de quem já flutua pro céu. Nirvana! A terrível sensação de terra plana, de ausência de gravidade, nada cai, tudo flutua, nada vive, nada se mexe, tudo está no lugar mesmo fora do lugar, o nonsense tomou conta, é surrealismo que verteu do teto. Desmanchou, manchou. Vida que segue?! 

Extra! Extra! O filme de horror e terror do ano está sendo veiculado, mas o cinema está vazio. A falta me assola. O nó na garganta me dá saudades do fôlego. Seu nome é o único conjunto de palavras que conheço, quem teve de me ajudar a me expressar pra esta foi meu amigo Aurélio. Ainda não percebi como pude, como pude perder você. Eu nunca precisei tanto de você como nesse momento. Eu nunca precisei tanto de alguém nesse momento. Eu nunca precisei deste momento.

Mas aqui vamos nós, disparados, desesperados, tentando resgatar o último sopro de vida demasiadamente abundante quando nos uniu e escancaradamente escasso quando nos separou. Esgotamos. A osmose nos tornou um. A quebra nos tornou metades. Não existe eu sem você ou você sem mim. Entretanto, sabemos que o mundo está cheio de “meios” e em meio a tudo isso seremos só mais meios vagando pela noite do dia, da tarde e da própria noite, caindo na rotina, procurando refúgio na bebida, respirando fundo, de olhos desfocados, mente no alto, passivos ao mundo, discursando “a vida continua”, mas o contínuo da risca no sinal vital nos revela a falta dela pra continuar. Amar nunca foi fácil, perder também não, e perder quem se ama… Gabriel, Gabriel, Gabriel, Gabriel…


Sincero, eu espero
Gui Morais
24 anos, publicitário
Facebook: Sincero, Eu Espero
Instagram: mr.gmorais
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