Já inventaram nome pro medo do novo?

O súbito me incomoda, desregula.

Minha órbita dispensa a organização estabelecida, entra em parafuso, pane, sai sem dizer pra onde vai e quando volta. Odeio o de repente. De repente ele disse. De repente ele fez. De repente morreu. Tudo volta ao normal, menos eu.

Meu humor morre junto da rotina. Tudo fica quente, abafado, enojado. Tenho asco do ar e do que aconteceu. Sinto que, se respirar, talvez o ar não seja mais o mesmo, talvez não seja mais fresco, tenha cheiro ruim, seja ácido, me queime por dentro. Tenho medo de pisar e cair em falso, o chão não é mais duro. De repente o mundo já não é mais o mesmo. 

Sinto o tempo seco, o sol naquele teor e odor enjoado, de dias enjoados, que causam dor de cabeça enjoada. Alguém me traga um Neosaldina! Deixa a pele estranha, como se tivesse terra, me sinto sujo, preciso de água, de banho, sabonete, desodorante, perfume, álcool em gel, roupas com cheiro de amaciante, preciso vomitar. Por favor, parem as máquinas que eu quero descer, regulem, vejam o óleo, resetem, comecem de novo, mas com a mesma configuração, ok?! Nada de mudanças, nem você aí, engraçadinho do canto, estou falando sério. Agora prestem atenção porque está quase na hora, liguem no 3, 2,…

Tarde demais! O novo já tomou conta, o mundo seguiu em frente, fiquei pra trás, olhando pra trás, atrás. Sinto muito, esse mundo novo eu não conheço, não sei como viver, sobreviver, andar, falar ou respirar. Me vejam um saquinho, uma bombinha ou mesmo um inalador, preciso de ar. Conseguem me entender ou o dialeto também foi pras cucuias? Espero que não. Espero que sim. Assim irão ignorar a última frase deste texto.

O jeito é ficar em casa, onde eu mando na rotina e no mundo, com meu cobertor de sempre, meu travesseiro de sempre, meu chão de sempre, minhas paredes de sempre, meu sempre de sempre. Aqui o novo não ter vez, até a colcha rasgar ou a comida acabar.

Já inventaram nome pro medo do novo? Se não inventaram, doo o meu. Ou melhor: não inventem, deixem como está, senão seria mais uma mudança e eu tenho medo. Tenho medo, sim. Medo de olhar no espelho e não me reconhecer. Medo de superar este medo e tudo, então, mudar. Tenho medo da mudança. Medo do que o de repente pode causar. Tenho medo de ser surpreendido. Rendido. Passa a grana e o celular. Pego de… Surpresaaaa! Advinha só a novidade?! Os parentes vieram e vão ficar por três meses.

Alguém me ajuda! Puta merda!


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
24 anos, publicitário.
Facebook: Sincero, Eu Espero.
Instagram: mr.gmorais.
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