Posso pedir pra você ficar?

Queria ter o direito de pedir pra você ficar.

Queria não saber da importância do ir, da necessidade do ir, do infortúnio dever de ir. Queria ser imaturo, chato, inflexível, abusivo, petulante, arrogante, egoísta e chacoalhar seu montante pelo colarinho e pedir que fique: ou lá ou eu, diria, você escolhe, diria, depende de você, choraria.

Existe algo além. Além do carro partindo da porta da minha casa. Além dos carros imóveis que ocupavam as vagas da rua. Além do asfalto molhado que fervilhava e arfava com o pneu que se movia pra longe, pro além. Além das pessoas alheias, no conforto de seus sofás, entretidas pelo enredo da novela das nove. Além das estrelas e da lua que ilustraram aquela noite e testemunharam o abraço, o beijo, a jura, a partida madura em sua moldura e a conjuntura já insustentável do que ficou e se rendeu ao choro surdo.

Queria dizer que amanhã é outro dia e que tudo o que vai volta e, portanto, amanhã você estaria por aqui e não por aí. Mas seria mentira e não sou mentiroso, sou maduro, afinal não pedi pra ficar. Queria acreditar que amanhã é menos um dia do mês que ficaremos distantes, mas isso é pensamento de gente positiva e eu não sou positivo, mas maduro e portanto lido com as verdades montadas no seu alazão da indiferença. Queria também acreditar que querer é poder e dar corpo a tudo isso que tenho escrito e dito, mas sou maduro, como você já sabe, e não acredito em tudo o que dizem, até porque você disse que ficaria pra sempre quando na verdade você se foi naquela noite, naquela rua, naquele carro, naquele corpo, naquele seu “eu” que tanto amo.

Se não estava suficiente, senti meu coração apertar quando disse que estava na fila pra embarcar, pra ir, pra ir além, seguir, seguir adiante, seguir adiante sem mim, sem mim. Como você pôde? Como pôde fazer isso? Como pôde me deixar?, é o que eu diria se não fosse maduro.

Portanto, o que posso te dizer e fazer, é pedir que cuide bem do meu coração que não está aqui mas aí nesta noite, nesta rua, neste carro, neste seu corpo, neste seu eu, contigo, desde que este pedido não infrinja a lei do “ser maduro” que, afinal, eu sou, apesar de amar. Afinal, é possível ser maduro quando se ama? Se achar que não, jogue este texto pro alto, pois estou alforriado para pedir que volte, e portanto peço: volta e fica comigo, porque cada vez que você parte, parte algo dentro de mim e não quero ficar incompleto, por isso volta, mas volta pra sempre, já que “sempre” é o tempo dos imaturos e como vimos eu sou, pois amo, amo você, então volta (agora!).


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
24 anos, publicitário.
Facebook: Sincero, Eu Espero.
Instagram: mr.gmorais.
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