Este texto é sobre o amor, este texto é sobre minha mãe

Já parou pra pensar o quanto é difícil falar de amor?

Não existe frase, crônica ou livro o suficiente pra compreensão desse sentimento tão-tão. E isso é o que você representa pra mim esse tão-tão que nomeamos de amor. Você foi aquela que aguentou nove intermináveis meses, com um serzinho crescendo, se espreguiçando, gritando “tô com fome” desde o princípio e até atrapalhando teu sono. Foi a que olhou pro mundo da década de 90, carreira feita, sem cônjuge pra colaborar e disse: vou embarcar em mais essa aventura. Depois de ter abandonado a cidade natal pra estudar, o estado natal pra trabalhar, constituindo-se quanto profissional, mesmo sendo mulher numa cultura machista, não se contentou: virou mãe (solteira).

Como mãe (quase) sempre presente, dava seu jeitinho de viajar à trabalho e dormir abraçada. Dava de si pela empresa e tudo pelo filho. Desculpe trazer da mesa o assunto trabalho, mas ele norteou muito do que somos. E COMO SOMOS! Uma super equipe que, mesmo quando criança, discutimos sobre gestão empresarial e economia (ou falta dela). Consumistas, nosso passatempo favorito sempre foi o Shopping e, em especial, as compras. Mas como abrir mão dos nossos cafés, almoços, jantares, filminhos nas tardes de domingo e muitas risadas das piadas e histórias do passado, nada de consumo mas muito amor injetado. Contigo aprendi a desabafar e você, por conseguinte, também. Somos um time em que um se apoia no outro e um apoia o outro. Juntos somos mais.

Gosto muito desta constituição familiar par, pouco vista, pouco conhecida, pouco pregada. De mãos dadas nossas engrenagens funcionam bem. Há diálogo bem desenvolvido e ninguém fica de fora. Falando em “ninguém”, também não posso esquecer do modo como abre seu coração Perdigão, de mãezona que é, pra receber meus amigos e até dar colo e consolo quando precisam. Mãe conselheira de aluguel, você encontra aqui! Propaganda barata, mas intenção nobre.

Única apoiadora quando larguei a medicina pela indústria cultural, entregue ao sistema capitalista e à arte da persuasão. “Mãe quero ser publicitário”, disse eu. “Se é o que te fará feliz, vá em frente.”, retrucou.

Felicidade foi a lei que instituímos nesta mini-sociedade de mãe e filho que organizamos. Item, inclusive, muito presente em nossas pautas diárias. Aproveito o espaço pra te dizer que sou feliz, muito!, e devo isso a você. Quando era criança, conversava, não batia, mas punia. Adolescente, me cobrava, cobrava de sair mais, ter mais amigos, de ser mais sociável. Prestes à entrar na vida adulta, permitiu que fosse morar sozinho noutro estado pra estudar, teve de lidar com os medos e inseguranças, suportada apenas na certeza de uma criação digna. Adulto, por sua vez, sempre foi minha maior crítica, o que me torna melhor a cada dia. Logo deixou as crenças de lado pra embarcar em mais um avião pra quebrar paradigmas, (uau! que vida agitada) me puxou pra conversar: sinto que está vivendo uma vida dupla, você não está bem.

“O que está acontecendo? Filho, você é gay?”

“Sim.”

“Os homossexuais sofrem muito com a crueldade social. Eles precisam de alguém pra dar força e estar junto. Eu quero ser essa pessoa pra você.”

Marco histórico em nosso relacionamento. Entretanto não podemos negar que isso nos uniu mais. Elo inquebrável. Peito de aço, mas ardendo em paixão, enfrentou quem quer que ousasse cruzar nosso caminho: família, amigos, conhecidos e, inclusive, desconhecidos. Grande militante pelo amor. Se fosse carregar uma bandeira não teria cor, tecido, nem escrita, seria o sentimento, bandeira simbólica, seria a bandeira do amor.

Hoje somos mais que ontem e amanhã seremos mais que hoje.

Se há alguém nessa vida que eu tenho orgulho (e tem!), esse alguém é você. Um dia quero ser 1/4 desse tão-tão que você é. Meus filhos ouvirão muitas histórias da Mulher Maravilha que minha mãe é e sempre foi. Da mulher forte, independente, destemida, a mulher que mudou a vida de tanta gente, ilustração ideal daquela que é forte como uma pedra e tão delicada como uma flor. Chora, esperneia, ri. Tudo te machuca, nada te abala. Elástica no quesito sofreguidão, como uma boa geminiana, hora tá rindo, outra chorando. Hora a dor é insuportável, outra diz à dor que tem um grande Deus. Mas, se me permite, tudo é muito pequeno perto de você.

Como me disse uma vez, ao telefone, no nosso aniversário de um ano sem se ver: o mundo é pequeno pro tamanho do meu amor por você. Adiciono aqui, pra concluir esta homenagem, a principal herança de teu testamento: o amor. Quando me perguntam quem minha mãe é eu respondo e sempre responderei: aquela que me ensinou o que é o amor.

Eu amo você tão-tão, mãe. ❤


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
24 anos, publicitário.
Facebook: Sincero, Eu Espero.

Instagram: mr.gmorais.
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