Me deixe só, eu não tenho medo do escuro

Quem nunca teve depressão com prazo de validade que atire o primeiro Tegretol CR.

Tem dias que você acorda já querendo que pule. Dia que você quer dar uma morridinha rapidinha e voltar logo-logo. Dias que a forca parece mais divertida que um passeio de montanha russa na Disney. Que o comprimido é mais gostoso que uma lasanha. Que a cor preta da sua camiseta não foi escolhida atoa. Que seu acessório preferido é o olho lacrimejante e o arfar ritmado com seu pensamento hedonista. Que seu lado vítima resolve tomar conta do seu corpo e se opor ao herói, se aliar ao vilão. Entregue!

Eu sei lidar com minha melancolia. Assim como uma doença é tratada com seu próprio vírus. Assim como violência é tratada com violência. Assim como a depressão é tratada com depressão. Minha melancolia é controlada com ela mesma. Com Nick Cave de fundo, café quente vaporizando meus óculos ensebados, uma cozinha com mesa e uma toalha de rendinha, uma janela que deixa pouca luz tomar conta, um caderninho pequeno, de folhas pardas, uma caneta Bic e a consciência de que não estou nada bem.

É lei! Primeiro pensamento: sou todo errado. Existir cansa. Pra quê estou neste mundão de meu Deus-sabe-se-lá-quem!? Não vou te deprimir com minhas crises. Acontece que sei que fico sensível e, sabendo disso, me fecho. Apago pro mundo. “Se perguntarem de mim, digam que não existo.” Show de Truman invertido. Pronto pra ficar só. Não consigo nem sentir cheiro de gente, já basta o meu. Não quero espelhos, reflexos, falatório, nem sequer aquele amigo que prevê minha faceta ensaiada de fim-do-poço e tenta ajudar. Sai! Me deixa. Ao estilo brega-fênix uma hora volto pro mundo. Com poemas debaixo do braço e piadas na ponta da língua. Meu jeito. Acostuma com o tempo.

O “ficar sozinho” é primordial pra alguém que tem uma mente que trabalha pra me deixar pra baixo. Ainda tenho a pachorra, confesso, de cantar “a gravidade está trabalhando contra mim e me pondo pra baixo” junto de Mayer. Gravidade o cacete! Sou eu! Eu estou me pondo pra baixo. Eu sou o problema! Problema de mim. Problema do mundo. Eu sou o problema! Há remédio pra me curar de mim senão a morte? Sim. A morte não te deixa sozinho, no fim sempre terá alguém pra chorar por você, mesmo que seja pela sua condição de dividendo.

Como eu disse mais tarde, assim como a doença, violência, depressão e minha melancolia, meu tratamento de mim sou eu mesmo. Por isso preciso ficar sozinho, preciso de mim. Me reencontrar. Compreendem? É só preparar o terreno, garantir exílio, café, papel, caneta e uma música triste. Logo estarei de volta. Não por muito tempo, afinal a tristeza faz parte do ser humano e se manifesta em floro aos escritores (mesmo aos amadores como eu). Realmente, existir cansa, mas compensa por conhecer pessoas como as quais eu amo. 

Hoje estou triste porque sinto sua falta.


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
Facebook: Sincero, Eu Espero.

Instagram: mr.gmorais.
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1 comentário Adicione o seu

  1. mariel disse:

    Troque de caneta, BIC deprime. (Adorei o post)

    Curtido por 1 pessoa

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