Frescuras à parte sou uma boa pessoa

Mas é inevitável não pensar que a loucura disfarçada de mania não interfere no meu relacionamento com mundo. É patológico, meu desculpem! 

Vejamos… Não como azeitona com caroço. Chiclete. Manga. Peixe com espinho. Perceba a semelhança: todas elas hão de ir à boca e sair dela. Pra mim não dá! A dinâmica põe, mastiga, engole e tira, pra mim não dá! É granada comestível de gastura. É guerra de TOC travada na minha mente. Trava e me trava, trovador travado. Travo! Trava-línguas de quinta e terça improvisado pra ilustrar.

Travado é pouco quando fora de casa e a natureza resolve chamar. Se dá caganeira ela que volte como veio! Seguro até o fim. Com calafrios e suando frio. Não cago fora de casa! Minha merda tem que ficar junto às demais merdas da minha vida, segregadas e segredadas, no perímetro do que posso chamar de meu.

Feijão é outro que não se mistura. Anti-social e acomodado em seu preconceito. Feijão combina com arroz. Ponto (e olha lá!). Essa história de sopa de feijão, macarrão com feijão, brigadeiro de feijão é moda que veio depois, de enxerido que o ser humano é. Mania de revolucionar. Moda que podia passar. Feijão foi feito pro arroz, como frigideira foi feita pra ser autossuficiente. Não arranjem outro amor. É herege, nojento, incesto, indigesto. Certo, senti vergonha de mim. Sejam felizes como forem. Só não me façam engolir feijão senão com seu matrimônio admitido ao arroz.

Assoprem o feijão pro lado da massa, mas não a mim. O ar é suficiente pra todos nós. Minha bronquite está controlada. Sem contar que junto do seu sopro vem ar inesperado, bactérias, poluição, gotículas de baba, seu hálito, seu hálito, seu hálito, seu hálito. É incrível como um simples sopro conta história: bafo matinal, nada comeu. Bafo de bife acebolado, o almoço foi bom. Bafo de cerveja, já fermentado no estômago, acidente de carro. Bafo, meu amigo, é bafo. Não quero que essas histórias sejam contadas pra mim. Não quero seu bafo ensebando minha testa que já é oleosa. Fica longe e tente não assoprar, o mundo agradece.

O que o mundo não agradece é a minha última frescura (ao menos a que irei expor aqui): lavar as mãos. Preciso lavar as mãos de minutos em minutos. Não preciso tocar nada diferente. Mas preciso sentir a água fria, molhada, natural, tocar minha pele, hidratar, lavar, refrescar. Chega a mão treme! 

Sem militância. Me deixem! Me deixem com o meu pôr sem tirar, minhas merdas domésticas, meu feijão racista e minha mão enrugada. Minhas frescurites agudas só alfinetam a mim. Jeito que arranjei de me fazer “não-me-toque”, pois já me toco, me bato, me auto-privo. Talvez seja isso: a privação é minha frescura. Meu estupor de vida. Meu freio de mão no ideal de ser livre. Meu sinal de fumaça, fétido, da insustentável necessidade de se ver sólido no mundo real, ainda reclamo, logo existo. Licença poética à René pra esta overdose de bobagem.

Falo de mim mas meu genocídio não é ameaça, é brisa fresca se comparada à humanidade como um todo. Afinal, diferente de uns e outros, lavo minhas mãos, mas pelo menos ainda tenho amor dos meus. Não como isso, não faço aquilo naquilo, mas ainda sou capaz de amar. Não respiro contigo e não topo sua baba, mas sou amante proclamado. Nem tudo está perdido! Mas chega de falar de mim, me fale um pouco de você, do que tem se privado em nome da existência: de azeitonas caroçadas ou do amor?  


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
Facebook: Sincero, Eu Espero.

Instagram: mr.gmorais.
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