“Pega um cigarro, é nóia sua”

Olha a Neura!

Foi e num voltou anteontem, ontem e hoje vai ser o mesmo. Da última vez foi igual. Os cigarros estão caros, dizia ele. Foi buscar em outro bairro, cidade, estado, país, vida. Rompeu por si. Sumiço sem direito a pedido de socorro na TV ou cartaz de “procurado” pelos postes. O loop chegou chegando, já deu indícios de sua estadia fixa. Tá aqui sentado do meu ladinho, fantasiado de capeta, calando o anjinho estrebuchado no fim da escada. Vai dar errado, dizem eles!

Mundo abraçado, braço esticado, corpo vai arrebentar. Vou espalhar membros pelo salão. “Faça sua festa, mas quando sair recolha a sujeira.” Vou tentar. Tentar festar na vida, abraçar o mundo, morrer sem explodir e não deixar vestígios de merda. Mas vou te contar: tá difícil essa última. Tô no lixo! Sou o lixo. Zero à esquerda. ‘Petralhado’ à viver sem paz. Eterna insatisfação. Mente esmagada pela ambição. Cansei de ser eu. Bora mudar? Vai dar errado, dizem eles!

Mudar de cidade, estado ou país não vai adiantar. O problema é o corpo. A casa que persegue. O casco do ser e existir. A limitação que a mente ultrapassa, mas não passa. O adiante inalcançável pela solidez pálida em ossos, músculos, pele e frustração. É violência introjetada e incorporada, introdutória à indução depreciativa de si. Introspecção da alma disfarçada de Ego, Freud explica. É intro, eu explico!

A ânsia do ser-alguém, de compreender seu “eu”, enlouquece. O ser está circuncidado. Homogeneizado e circunscrito na rua. Qual seu grupo? No meu, o rolê ideal é com open de Lexotan. Socorro tatuado no peito, no pulso, na testa e nas costas. Em algum momento alguém há de ver. Se irá socorrer é departamento afastado, fechado, com manual de ética personalizado. Não sabemos dizer. A placa diz “divino”, não tive essa matéria na academia e o pouco que sei vem do senso comum, crença, nada palpável. Até onde estamos certos diante deste “saber”? Um dia. No da morte. Vai dar errado, dizem eles!

“Morte” palavra pesada. As pessoas temem. Não há de que se preocupar. A preocupação é se vier com alguns minutos de antecedência. De não ter feito o que havia de fazer. O que pretendia fazer. O que desejava fazer. Se não tiver realizado os sonhos. Se não tiver dito o que queria. Ter amado quem devia. Ter amado. Amor e morte andam perto, afinal. Uma leva a outra. Uma justifica a outra. “Pra compensar a morte, crio o amor.” Sem ele, é morte. Com ele é morte. Não tem pr’onde fugir, mezo amigo. Por isso, dê cá um destes cigarros. Achou na vizinhança mesmo? Voltou cedo. Na próxima me avisa, vou com você, mas não volto. A propósito, te amo. ❤

Seu amor me leva à morte, mas à morte inevitável. Tudo corre, passa, vai! Dizem que o que é bom passa rápido. Pois você é mais que isso. Me afasta da morte do ser, me leva à vida no automóvel que chamamos de amor. Tu me faz bem, me faz amar. Amor do bem. Amor que embebeda de desejo e cura são de força pelo “mais” da vida. Tu é minha fonte vital, cara. Se sair pra mais um cigarro me porá em maus lençóis. Perdi o mapa de viver só, estava na gaveta do criado mudo, mas se perdeu na bagunça que é viver. Minha relação contigo virou de interesse: dependência. Tô dependendo de você como dependo de café. Viciei como tu viciou nos cigarros a que vai buscar diariamente. Me fume como os fuma. Me ame mais que eles. Esqueça-os. Fique aqui comigo, na cama. Ainda é cedo pra se dispersar. Vamos transar e planejar o dia, juntos. Depois a semana, o mês e a vida. Quer saber, casa comigo?


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
Facebook: Sincero, Eu Espero.

Instagram: mr.gmorais.
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