Desculpe a inconveniência, mas este texto é sobre meu sovaco

Foi um dia difícil.

Suo naturalmente. Mas suo muito. Quando digo muito, é MUITO MESMO. Pois lá estava eu, tendo de levar documentos pra garantir um cantinho na sala de aula do mestrado. O dia estava quente. Antas ocupavam o lugar de motorista nos carros da frente. O relógio caminhava, ao contrário do trânsito que se mantinha ali, parado, ar do deserto, São Paulo sem amor e muito trânsito na veia. O prazo encurtava. O que me restou a fazer? Suar. Suor de calor. Suor de ansiedade. Suor de nervoso. Suor de estar suando.

Grande embuste é o tal do brasileiro. Eu, inclusive. Tudo de última hora. Tudo pra última hora. “Última hora” é sobrenome do tal do ser humano. Pois assim fiz, retumbante, honrando à raça da qual nasci: documentos pra última hora, confere! Se perder a inscrição da bagaça: não era pra ser. Ótima desculpa! Conforta, não exporta, nem importa. Aplausos pra mim.

Cadê necessaire? Achei. Cadê desodorante? Não achei. Merda! Gente com sovaco igual o meu precisa de desodorante na necessaire, no chaveiro, no bolso, na vida. Socorro! O suor desceu. Junto, o desodorante da manhã. E lá estávamos nós: meu sovaco natural e eu artificial. Sem proteção. Sem cheirinho gostoso. Sem cheirinho ruim. Sem cheirinho. Só suado. Presos dentro dum carro popular metido a veículo grande, preso num trânsito metido a trânsito grande, preso numa cidade metida à cidade grande, de um estado metido a estado grande, num país metido à país grande, num mundo de gente metida a ser grande.

Liga o ar, liga o ar. Certo, ar ligado. Aumenta. Põe as astezinhas viradas pra mim. Não só pra mim, mas pro meu sovaco. Ainda bem que minha manga hoje é larga. Dá pra ventar. Hmmm… Sensação gostosa. Oásis. Praia, caipirinha e sombra fresca no verão. Cappuccino no inverno. Banana pra quem diz que ar condicionado é frescura. Agradeço a Deus por não ter sinusite. Ai! pingou gelado. Filha duma axila! Volto ao trânsito. Glândulas sudoríparas workaholic não combinam com ansiedade. Não rola. Não orna. É música que não encaixa. Ritmos que não combinam, nem pra se dizer experimental alá Schaeffer. Negativo!  

Reclamar não adianta. Reclamar não vai fazer as gotas subirem e reidratar meu corpo de volta. Nasci assim, vivi assim, vou morrer assim. Nem sequer faz parte do discurso de “não se contente com o que é, vá atrás, seja mais, blá blá blá conquiste o mundo”, até porque não dá pra conquistar o mundo com meu sovaco, só se a intenção for acabar com as secas, vide Graciliano Ramos, de algum Sertão Veredas, ao estilo Guimarães, por aí. Quem sabe não é uma boa. Alô, Greenpeace? Nasa? Professor Xavier?

O texto foi inútil, mas meus braços agradecem o tempo dedicado a eles. Eu também. Desabafei. Agora sabem porque vivo de preto, com a asa levantada, sempre à procura de um ar condicionado. Por isso quando me chamam pra sair pergunto de prontidão: tem ar? Se não tem, meço na balança e ensaio a desculpa. É quando ouço que ar é frescura. Banana, maçã, melão e melancia pra quem pensa assim. Uma salada de fruta bem gostosa, pra refrescar e adoçar nossa vida, debaixo de um bom e velho ar condicionado. Meu sovaco agradece!


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
Facebook: Sincero, Eu Espero.

Instagram: mr.gmorais.
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