É tarde pra ouvir a mãe?

Tudo muda. Tudo precisa mudar.

Eu acordo com dia cinza. O corpo dói. As costas carregam cruz de pedra. Lá fora tá abafado. O dia tá chato. O mundo tá chato. As pessoas tão chatas. Eu to chato. Do avesso. Quero fugir, se for pra ficar assim, quero fugir.

Nada tá bom, nada tá bem, nada tá nada. Tudo tudo. Generalização absoluta e exagerada pela sensação “merdiniana” do dia que estou obrigado a viver. Você tá feliz com o que tem? Afinal, o que você tem? Eu tenho umas cicatrizes, uma ou outra camiseta esgarçada, cuecas sem elástico, uma pedra que guardei quando criança, uma foto que revelei quando adolescente, um chaveiro que ganhei de um amigo, um cortador de unha quebrado e um copo da Dory. Nada profundo, nada demais, nada de nada. 

Penso em dizer que tenho um amor, mas tenho mesmo? Amor é pertence sem garantia, aos que militam nem pertencimento é. Mas este ninguém me tira, fique dito. Ao menos o amor a mim. Certo, momento empoderamento passou, nem mesmo amor próprio persiste nas horas de melancolia. Espelho intacto, amor quebrado. O sentimento não é meu, é do mundo. A gente vive quando este passa dizer oi, o tchau é inevitável. Mas venha cá, querido amor, sente-se e fique, por favor, preciso de você. Comigo.

Quero te dizer que quero te amar, quero me amar, mesmo quando nada parece fazer sentido. Mesmo com minha conta no vermelho. Mesmo com meu salarinho, coitado, que mal dá conta das contas. Mesmo com meu cabelo por conta do vento. Barba a fazer de conta que está cuidada. Mesmo com aquela sensação de solidão demais da conta. Aquele sentimento de tempo perdido, pendurado na conta pra mais tarde. De sonho abandonado sem 10% da conta pro garçom. De crescimento sem ter se preocupado com a conta de amanhã. 

Jovens, achamos que somos imortais. Que teremos todo o tempo do mundo. Pensamos em que festa vamos amanhã, mas não como vamos sustentar nossos sonhos depois de amanhã. Acontece que a gente cresce, toma nossas responsabilidades, sonha em estudar, se profissionalizar, em fazer parte de um meio social de influência, viajar, de fazer a diferença, ter filhos, casar, ser parte de algo maior.

Mas nos preparamos pra isso? Não ouvi minha mãe, cacete! Mesmo sabendo que ela sempre teve razão, não ouvi minha mãe, merda! Estuda, disse ela. Para de festar, disse ela. Economiza, disse ela. Faz inglês, disse ela. Pensa no seu futuro, disse ela. Deixe essa calça da moda de lado e invista no seu futuro, disse ela. Cedo ou tarde você vai se arrepender, disse ela. Pense no seu lado profissional, disse ela. Leve um casaco, vai esfriar, disse ela. Estou passando frio.

É tarde pra mudar? Espero que não, porque estou mudando, todos os dias, todos os segundos, naquele belo testemunho vital de que ainda tenho esperança no mundo, nas pessoas e, principalmente, em mim. Bunda sentada na cadeira dá hemorroida. Por isso vou terminar este texto aqui, e ir atrás de algo maior. Enquanto isso, coloca mais essas lamentas na conta! e que Deus te pague, como viu no texto, minha conta ta com hemorragia. Meu dia também.


 Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
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