Unidos na crise de ansiedade: o mundo está amarelo

Acho que estou no meio de uma crise de ansiedade.

O dia não amanheceu bem. Escuro. Chuvoso. Lindo. Mas eu olhei no espelho e disse em voz alta: estranho. Dito e feito, tudo estranho, tudo vazando, tudo cheirando a Cheetos de queijo, o mundo está amarelo. Parece que vou vomitar.

Pingo suor, pingo covardia, pingo ansiedade, pingo. Já lavei o rosto no lavabo. Já olhei no espelho e não me reconheci. Rosto distorcido. Um lado formiga. O estômago pesa, se fosse à farmácia me pesar, seria o fim da balança. Minha boca não responde. Minha mente não funciona, não pensa. Tem um aquário cheio d’água plantado com minha cabeça dentro. Já me olharam e disseram que to tremendo (mais que o normal). “Acha que não reparei?”, tentei dizer. Emudeci. 

Me perdi pensando no tiozinho da esquina que se arrependeu em ser o tiozinho da esquina, e não é feliz. Na mulher conversando com o tiozinho da esquina, suando a nuca, com a franja grudada na testa, arrependida de ter deixado seu grande amor de adolescência por uma faculdade que não lhe rendeu em nada, só lhe fez cair as tetas e se tornar menos atraente, por não ser feliz. No carteiro que passou, cansado de pedalar, cansado de trabalhar, cansado de ser mal tratado, cansado de correr risco na rua, cansado de chegar em casa e dar de cara com uma mulher amargurada e três crianças que lhe causam calafrios, cansado de existir, cansado de viver e cansado de não ser feliz. No cachorro que perseguiu o carteiro, que passa fome, frio, trepa com uma cadela ou outra e não é feliz. Nas crianças que, com ele brincaram, pois moram na rua, passam fome, frio e não são felizes. Nas mães e pais dessas crianças que sofrem por não darem o que elas merecem ou, no mínimo, o que precisam pra viver bem, enquanto outros esbanjam por tão pouco, se é que já não estão mortos – deixaram o mundo e deixaram no mundo essas marginais tristes -, encovados e não foram felizes. No estado em que os pais dessas crianças estão e em que todos nós vamos no fim das contas: morrer sem ser feliz. Este é meu fim?

O mundo ta girando, mas eu to parado. Não to bem, não. Ansioso, impaciente. Tentei Nick Cave, batucar um rock clássico. O ar é verde, fétido e me abafa, até que o “City of Star” me salva. Caí de aquário no La La Land. Uau! Como respirar é bom. 

To quente e frio. Tomei remédio pra febre, mas não to febril. Arregacei as mangas, mas não to com calor. Neosaldina, Dorflex, Epocler, Lexotan, Bromazepam, água, vergonha na cara, o que preciso tomar pros órgãos do meu corpo voltarem ao normal? Corri pra cá, reclamar, descrever, me entender, deixar registrado. Vai que eu morro! 

Agora to com a aba de crônicas da Tati Bernardi da Folha. Li o livro em que ela fala sobre as crises de ansiedade, quem sabe ali no portal não encontro alguma bula de como livrar desta peste montada no meu (dolorido) lombo? Será amor? A paixão que tem brotado em mim? Ou só o pedaço de bolo velho que comi mais cedo? Fica aí pra gente refletir: sobre o que o amor, a paixão e o bolo velho causam no estômago. 

PS: espero viver a tempo de publicar este texto.


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
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