Desmanchou, manchou, vida que segue

Fazer o quê, né?!

Tudo é passageiro. Eu, você, a vida e até aquela mosquinha que passou enquanto eu escrevia esta estrofe. Até o café que borra a borda da minha xícara. Até a saia rodada nova da minha amiga que veio rodopiando pra mostrar o efeito Monroe. Até o batom vermelho do lábio dela. O cabelo, que hoje está rebelde. O mouse, o teclado e os dedos dos quais uso pra escrever esta crônica. O lápis, que desenhei seu rosto desfigurado, como quando era criança e tive de desenhar minha família na psicóloga. A garrafinha de água, que já está vazia e logo fará uma visita ao lixo. O abraço que te dei ontem. O beijo que te dei hoje. Eu e você, que não passamos de uma cena do roteiro original, que entrou só na versão do diretor. 

Somos o (des)encontro no aeroporto. O rápido. O espirro. O suspiro. O ultimato de que já foi, foi tarde, o prazo esgotou. A conversa fiada, jogada pro vento frio do ar condicionado, nas paredes gélidas da cozinha, descombinado com o vaporzinho cheiroso do café preto que sai da xícara dos colegas de trabalho, fazendo um break em frente à máquina da firma. As palavra imediatistas que foram ditas, mas não formalizadas. O amor que nunca existiu, a não ser na mente dos mais platonicamente apaixonados. Amor sem remediação. Amor desmedido. 

Eu poderia ter dito que te amava. Mesmo que só em alguns momentos. Mesmo que só quando meu Whats apitou com seu “bom dia”. Mesmo que só quando você deitou sua cabeça no meu ombro. Mesmo que só quando te beijei na esquina da família tradicional brasileira com a de #vaiMarcoFeliciano. Mesmo quando percebi que estava entregue e mergulhei mais fundo. Mesmo quando este fundo ficou frio, escuro, mas eu sabia que estava bem, porque dentro do seu abraço o mundo era silencioso. Amei quando achava que estava prestes a te ter. Amei quando te tive. Mas, mais que isso, eu amei te ver.

Nada feito! É amor de verão, consolidado e deixado claro em panos e contratos. Último capítulo do livro. “Oi pessoal, desculpe o atraso. Tive um contratempo.” Tornou-se o compromisso sem compromisso. A ponta do despontado, do redondo, da esfera. Tornou-se a segunda vida, uma lembrança de alguma vida passada que se reproduz com nós dois de personagens. Somos personagens de histórias que não parecem nossas, somos estranhos, estrangeiros, vivendo um gostar inexistente. Somos o fogo que resolveu se entender com o gelo: mal dura. Derrete. Desfaz. Desmancha. E é o que estou tentando não fazer: desmanchar com teu sorriso bobo. Mancha.

A ida sem passagem de volta é pro além, o futuro, o individual, o você, o você sem mim. Tudo bem, por aqui também estarei rumo ao futuro… sem você. Vida que segue.


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
YouTube: Sincero, Eu Espero.
Facebook: Sincero, Eu Espero.

Instagram: mr.gmorais.
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