Minha amiga oculta é… Maluca!

Dizem que se conselho fosse bom, ele não era dado, e sim vendido. Mas prefiro pensar que conselho é algo que não se precifica, não enlata, não rotula.

Por isso não é fabricado, mas dado. Pense que abraços também não ficam em prateleiras e são, inegavelmente, deliciosos de dar e de receber também.

Minha amiga secreta é uma das pessoas mais encantadoras deste mundo. Você precisa ver o sorriso dela, é apaixonante. Talvez devêssemos emoldurar e pendurar num lugar público, “monumento da alegria” deveria se chamar. Pena que aparece pouco, encurva pra baixo, leva pra baixo, fica pra baixo, está quase sempre baixo.

Não se engane, ela é feliz. Mas ela não sabe muito disso. Tem um pequeno defeitinho de procurar a ruindade, a negatividade o “apimentado demais” em tudo e em todos. Uma lamenta. Sorriso bom não é sorriso raro, sorriso bom é o resplandecente, fácil, que é sombra e água fresca todo tempo, mas em todo paraíso há chuva. Tudo bem, o que seria do branco se não fosse o preto, o que seria da felicidade se não fosse a tristeza? Monotonia.

Que triste é o mono, que triste seria a felicidade eterna, que feliz seria um rastro de tristeza pra variar. O problema é a variância extrema, acoplada e instalada sem prazo de validade. A mudança de humor em tempestade. Do mau pro bom é bom, do bom pro mau é que é mau. Quem dera pudéssemos viver em paz, com uma pessoa estável: triste, triste; feliz, feliz.

Minha amiga oculta não tem nada de coitada. E nada de vilã. Ela é sua própria mocinha e sua própria bandida. Ela se faz, se maltrata, se rouba. Rouba sua própria vitalidade, seus próprios direitos, sua própria paz, seu próprio sorriso, rouba-se de si. Mas quando percebe tal vilania, logo surge a heroína, garota forte esta menina. Enfrenta, vence, condena. “Condena”, aí está o erro! Quando recrimina a vilã, auto-se-infringe. Volta a se surrupiar.

Se eu pudesse lhe aconselhar, seria naturalmente mais que um conselho que te daria. Hoje, o que te posso dizer é que você se condena demais. Sofre demais. Se tortura demais. Demais. Tente apontar menos o dedo pro espelho, tente apontar menos o dedo. Use seu reflexo pro batom vermelho e não pro cartão vermelho. Use seu reflexo pra se inspirar. Respire. Sinta o mundo. O tempo é um só, mas ele deve ser aproveitado. Não adiante o relógio, o futuro pertence à ciência. Não viva do atraso, o passado pertence à história.

Se ame. Se namore. Roube o tempo da sua vilã, pra mocinha. Roube seu próprio tempo pra você mesma. Café acelera, café deixa feliz, deixa feliz porque acelera, porque deixa viver o amanhã agora, mas café não faz milagre. De que adianta viver amanhã se não sabe se estará aqui pra ver acontecer? Mande o foda-se um pouco. Faça aos poucos. Respeite a vida. Se o hoje foi criado pra ser hoje, não deve ser amanhã.

O sofrimento por antecipação é a maior bobagem, a maior arma, a maior tormenta, a pior morte: morte por bobagem. O tempo não volta, garota, pra quê ir adiante? O infinito e além é subjetivo, hoje é objetivo. Amanhã seu filho já é adolescente. Quer realmente perder a infância dele? Então não se perca. Seja! Porque você é! É tudo isso que acha que é, é!

Não digo que é tarja preta, que é nimesulida, neosaldina, sertralina ou qualquer droga. Digo que é a droga maior, é vício maior: vício de amor. A loucura do amor. Fala-se em loucura e pensa em você. Intensa! Vive do “sempre” e do “nunca”, jamais do “de vez em quando”. Avalanche! Não sabe chorar calada, o pranto que urge e explode num coral de lamurias. Fim do mundo! Oito ou oitenta! Preto no branco! Cartas na mesa! Limpa tudo logo! Limpa tudo agora! Tudo agora! Agora!

É mania de loucura. Mania de Mariana. Mania de ‘maniar’. Só esquece da mania de viver. Uma mistura de “Você é Doida Demais” com “Essa Mina é Louca”. Tema de funk, composição de Vinicius de Moraes com Tom Jobim. Com direito a “Soneto da Maluquice” de título. O impossível que se torna real da junção de “Bumbum Granada” com “eu sei que vou te amar por toda minha vida”. Afinal, “doida, muito doida, muito doida, você é doida demais”.

Mesmo assim eu te amo.

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(Mariana Moura, 24.)

Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
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1 comentário Adicione o seu

  1. mari moura disse:

    Passando pra dizer que li ontem, e estou lendo denovo.
    Até amanhã. ❤

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