A teoria da velhice

A criança ri desmedida. O adolescente pede desculpas por ter rido. O pré-adulto não sabe nem se riu hoje.

Quando somos adulto, começamos a nos entregar às convenções: vista isso, sente assim, fale assado. Ficamos estressados. Estressados com a casa medíocre que vivemos, com o trabalho, com o trânsito, com a conta bancária, com a nota baixa do filho, com a merda do cachorro na sacada, com a mosca na merda do cachorro na sacada…

Esse estresse ataca a mente. O fígado. Estômago. Coração. O corpo responde, reage e faz protesto em forma de doença. É quando percebe que envelheceu. Empalideceu. Mas não padeceu. “Puta merda, vou morrer!” A preocupação de uma vida estressada bate à porta, a notícia de uma doença séria também. Logo estará vivendo ao estilo do típico filme “Sessão da Tarde” de sábado em que a doença vem pra te mostrar o quanto está perdendo da vida.

Assume a velhice, assume as rugas, a cara emplastada e a pele entregue à flacidez. “Ainda sou jovem”, arrisca no espelho. Toma como verdade. Passa a viver livre do social, mas não como o pré-adulto que “foda-se mundo, um beijo.”, mas como uma criança que acredita que o mundo é uma aventura a ser vivida e descoberta.

Corre riscos. Mas não como os adolescentes que “OMG, mãe você é tão péssima. Louco sou eu que bebo, dirijo e nem tenho 18 anos ainda.” com uma carteira oficial (falsificada) de retardo mental em mãos. E, sim, como as crianças que sobem em banquinhos, pulam dos banquinhos, sobem em armários, pulam dos armários, sobem nas janelas… Alguém salva.

“Vocês todos me deram trabalho, agora é minha vez!” Vingança ditada. “Esse menino tá passando fome, gente. Coma algo Bernardinho.”, manda ao neto com o pensamento sincero: coma tudo que puder, a vida é curta, vá curtir. “Deixe o menino sair, Joana. O coitado já estuda a semana toda. Ele é jovem, deixe curtir a vida!”, discursa com o pensamento sincero: estudar pra quê? O importante é o agora, não o ontem de história, o amanhã da ciência ou o café da manhã do vaso sanitário.

Ser velho é “se não quiser ver, feche os olhos.”. É ter licença diplomática pra fazer o que quiser e bem entender sem ser repreendido. É ser feliz, sem ligar o porquê. É ser feliz, sem medidas matemáticas. É ser feliz, sem preocupações. É ser feliz, por estar feliz. É ser feliz, pela casa humilde. É ser feliz, pelo emprego abandonado. É ser feliz, por ainda poder estar no trânsito. É ser feliz, pela rádio estar tocando uma música 60’s. É ser feliz, por aprender que dinheiro não é tudo. É ser feliz, pela nota baixa do neto. É ser feliz, por ter um cachorro. É ser feliz, pela mosca estar feliz na merda do cachorro na sacada. É ser feliz, porque o amanhã é da ciência e não nosso. É ser feliz (sem teorias).


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
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