“Grande conquista: virei padrão!”

Hoje tive um deslumbre do avesso em uma postagem no Facebook, vide textão.

O cara contava sua história de batalha. Outrora era alguém fora dos padrões de beleza, com gordurinhas extras, cabelo ‘estranho’, estilo de roupa diferente. Hoje participando de um concurso de beleza, vencendo e, finalmente, fazendo parte do tal padrão: barriga chapada, cabelo louro em topete raspado dos lados, roupa “hétero-normativo”. Acontece!

O que me deixou com uma vaca atrás da orelha, é ler aquilo como resultado de um grande esforço de meses de preparo pra ser alguém socialmente aceito. Peraí meus cumpadis-UÓchintons. Que conquista foi essa?

Estamos num período de auto-aceitação. Pessoas têm percebido que são bonitas por serem o que são. Cabô palhaçada de beleza enlatada e transmitida via satélite. Hoje somos bonitos pelo reflexo do espelho e das ações. Somos bonitos pelo cabelo liso-escorrido-não-piolho e pelo ninho de mafagafinhos. Somos gatos pelo simples fato de existir. De nos olharmos no espelho e pensar “pronto pra matar casar”. Somos fiu-fiu por nos amarmos do jeitinho que somos e nos dedicarmos a ser o que queremos ser. Tudo por nós e não eles. Primeira conjugação verbal: eu.

Por isso foi assustador ver um depoimento de conquista sobre “hoje sou como os outros”. Esse orgulho de ser mais um, compactuar em se mudar visualmente pra ser aceito, se mudar pra fazer parte da grande escala. E o interior? Mudou também? O que aprendeu com isso? Que pra se sentir bem, os outros tem que te aprovar e pra te aprovar você precisa ser como todos, pensar como todos, fazer como todos. Fim à liberdade de pensamento! Fim à liberdade de expressão! Fim à liberdade do ser! Fim à liberdade!

Sei que deveria estar feliz pela felicidade dele, mas minha preocupação social fala mais alto. Não estou dizendo que minha reflexão é rainha e a dele é nadinha. É uma questão que inevitavelmente perpassa pela minha mente. Ele é um entre tantos que, pra se auto-aceitar, precisa de passaporte social carimbado pela terceira conjugação verbal. Amor próprio mandou um beijo. O respeito a si mesmo também.

Quem sabe na próxima reencarnação ele nasça preta, acima do peso, gay e maravilhosa por se olhar no espelho e estar bem consigo mesma, independente dos olhares de repreensão e discursos de subestimação. Isso sim seria uma enorme conquista.


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
YouTube: Sincero, Eu Espero.
Facebook: Sincero, Eu Espero.

Instagram: mr.gmorais.
SnapChat: guimorais04.
Cópia de Perfil

 

Anúncios

Desabafa

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s