Não foi possível conectar-se à poupança

Sou todo metido a ler livro de empreendedorismo. Leio e compro o espírito. Na realidade eu sempre compro a ideia da maioria dos livros que eu gosto e chego até o fim.

Quando li Harry Potter, imaginei que tudo quanto é objeto de formato alongado poderia ser meu “expecto patronum”. Tentava montar em vassouras. Procurava uma mínima cicatriz, frente ao espelho, pra me sentir especial. E pensava em onde minha carta haveria de ter ido parar. Sonhava, inclusive, com Dumbledore atravessando minha porta e dizendo “aí está você, seu fujão”, mesmo sabendo de sua morte durante a história. (Você não sabia que ele padecia? Oh! Sinto muitíssimo mesmo.) Confesso que até hoje, antes de ligar a lanterna do meu celular, pronuncio o feitiço “lumos”.

Não foi diferente com “Sherlock Holmes”, “Depois a Louca Sou Eu”, “A Insustentável Leveza do Ser”, e assim por diante. Cada livro que me cativa, me leva a saltar de cabeça na prosa escrita nele. E nos livros de “como ser um empreendedor” não é diferente. Mesmo todos tendo o mesmo apelo: eu era um cara pobre e fiquei rico, você também pode, nada é impossível, basta você organizar suas finanças e poupar.

É aí que mora meu transtorno. De pobre pra rico, eu poder chegar lá e isso não ser impossível, tudo bem, agora querer que eu, um assalariado consumistissíssimo, poupar? Ferrou o pequi de Goiás, meu amigo. Não só não consigo poupar por consumismo, como também não me sobra nem money pra comprar um livrinho na feira, quanto mais pra guardar uns Temer’s visando um futuro mais certo.

Não estou dizendo que o livro se equivocou, estou dizendo mesmo é que eu não sou o público desta parafernalha toda e ainda assim insisto nisso. (Desculpem autores, esta minha última declaração vai contra tudo aquilo o que vocês nos ensinam, em 200 páginas, a não fazer.)

Pois cá estou eu, com meu caderninho de anotações (em Bic vermelha, pra ilustrar melhor minha conta), observando o que posso cortar, além do meu próprio desejo de ser empreendedor, ter algo pra chamar de meu e um pé de meia mais farto no fim de ano.

Cortar a contribuição-bacana-mensal-pra-pagar-conta-de-casa? Impossível. Pet do Sherlock? Não dá. Netiflix? Tá loco!? Minhas assinaturas da Editora Globo? É pouquinho. (De pouquinho em pouquinho blá, blá, blá.) Meus livros? Já cortei. Internet? Como reclamaria da vida pra vocês? 

Posso viver em cima do meu caderninho de controle orçamentário, mesmo com a certeza de não ser o empreendedor do ano. Mas deixar de sonhar? Jamais. Um dia chego numa conclusão de cortes. Por enquanto vou cortar o texto antes que me cortem.

Talvez a Netiflix, ai minhas séries. Ou os banhos do Sher, ai os nós. Quem sabe as revistas, ai minhas rápidas-leituras. Quem sabe a inter

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Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
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