Encontros de Joana: uma fábula sobre o amor ou a falta dele?

Joana em seu desespero de se arranjar, marcou em um mesmo dia três encontros.

Engraçado como no mundo animal isto é tão comum quanto é para nós ir ao Mc Donald’s quando se está afim de sair da dieta cotidiana.

Rino, um nome bem sem classe, tampouco criativo, para o forte e esbelto rinoceronte que logo se prontificou a se encontrar com a pequenina, mas nada frágil, Joana. Nome dado, igualmente sem classe ou sem criatividade, pra joaninha vermelha de bolotas pretas espelhadas por suas azinhas balonê.

– O que fazes no mundo animal?

– Sou dançarino. Tiro a roupa e deixo a bicharada louca que só vendo. Insinuo o acasalamento com meu chifre único e, com muita esperteza, o comparo aos meus muques. Mas o que realmente gosto de fazer, é ir no LeoFitness, levantar uns pesos e melhorar minha performance muscular.

Não era uma pena, Joana ainda tinha duas alternativas de uma vida amorosa. Afinal, o que faria com alguém que está mais interessado pelos músculos do que pelo amor? Em poucos segundos da fala de Rino, ela se desinteressou e logo se pôs a imaginar o Estolfo, o segundo candidato a seu coração que, além de ter um nome pomposo, era um grilo. As estaturas combinavam mais.

– Médico desde que me entendo por bicho. Nasci carregando dentro de mim a sorte humana e suas crenças, que reverberaram pela floresta e, logo, fui dado como doutor. Gosto de passar minhas noites em grandes festas. Já foi a alguma festa dos vaga-lumes? Ora, são incríveis.

Incrível mesmo era a energia com que Estolfo enchia seu fino peito para falar. O orgulho lhe pintava a pele de verde aboletado. E meu tédio pintava meu casco de vermelho “abolotado”. “Meu intelectual se tornou um interesseiro, festeiro e biscateiro.” Mas ainda lhe sobrava um.

Desanimada, a pequena joaninha foi para seu último e tétrico encontro. Decidiu não imaginar, criar expectativas ou exigir demais. Já era tarde, ela já estava divagando do quão péssimo este terceiro seria.

– Sou publicitário.

Não teve conversa. Saiu às pressas. Arrependida dos encontros. Arrependida do dia. Arrependida da vida. A formiga For, pra não perder o costume de maus nomes, jamais daria certo com Joana.

– Ele viveria a trabalhar. É isso! Publicitário e formiga só pensa em café e trabalho. – Se queixava com sua amiga lontra. – O que há com o mundo?

– Depois reclamam que só faço trabalhar. Se ao menos eu tivesse motivos para voltar, certamente voltaria feliz pra casa sabendo que há alguém para amar. – Desabafava com seu amigo leopardo. – O que há comigo?

Como toda fábula, é esperado que se tenha uma moral. Pois aqui vai uma: não vá ao Mc, quando estiver afim de sair da dieta. Tente algo novo. O mundo é grande e a gastronomia é vasta. ❤


 Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
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