Um mês de pura merda

Tudo me irritava. Eu estava de saco cheio do mundo. Mas era de dentro pra fora. Era eu.

Estava chato. Recusando companhia. Me sentindo sozinho cada vez mais. Mas não conseguia com gente. Só com o Sherlock (meu dog). Estava sonolento. Desmotivado. Me sentindo péssimo. Horrível. Desleixado. Já disse “péssimo”? 

Cai na rotina. Deixei o negativismo me engolir. Só sabia reclamar. Ver lados ruins. Nunca fui assim. Não estava acostumado. Deixei ir. Cada vez mais e mais. É difícil explicar. O negativismo é uma corrente de rio que não para e te leva sem que você perceba. Pra longe. De tudo. De todos. Até que um dia você afoga.

Tudo tão confuso. Tão irritante. Tão insuficiente. Eu estava insuficiente pra mim mesmo. Perdi o interesse pela minha própria vida. Uma música POP pra ouvir no trabalho: me irritava. Música MPB pra ouvir depois do trabalho: uma merda. Nem Katy Perry, que tanto amo, estava me descendo. Queria comer doce, mas comia salgado. Logo me sentia enjoado. Queria o salgado, mas no fim desejava o doce novamente. Voltava a enjoar.

Não conseguia nada que me chamasse atenção. Minhas crônicas ficaram ótimas, confesso. Perfeitos reclames por ajuda. Meus textos publicitários umas merdas. Nada além de conceito. Até post de face era negativo: crianças pestes, o saco de ainda estar estudando ensino fundamental, “está difícil achar um lugar com cerveja?”, tudo estava entre o ruim e péssimo.

Eu sabia que estava assim. Mas não conseguia controlar. Reclamava da vida, reclamava de reclamar da vida. E lá estava eu: um reclamão de primeira categoria. Hoje percebi que estava desinteressado. E que nada mais era do que o negativismo em sua pura e infecciosa essência. 

Consultei uma psicóloga. “Isso é uma fase, o problema está na frequência.” Acontece que minha frequência já era um mês F.M. Num final de semana tentei ficar sozinho. Insucesso. Não me aguentava. Me irritava estar ali. Me irritava pensar que noutro dia teria que trabalhar e essa situação me apavorava. Porque sabia que eu iria mal no emprego, mais uma vez.

Não estou 100%, mas decidi reclamar menos. Viver mais. Viver! “Que merda que não fui no bar quando me chamaram? Fiquei dormindo? Com o pouco tempo que temos?” Só queria cama e o “amanhã”. Nada do hoje. Nada no “hoje” me interessava. Uma merda né!?

Não me sentia feliz, triste, merda nenhuma. Estava bem. Só bem. Indiferente. Esse era o problema. Precisei de uma no lombo: meu emprego prejudicado e meu reflexo gordo e barbudo no espelho, pra eu me tocar que precisava fazer algo.

Hoje resolvi mudar. Por isso segue minha última reclamação: merda!

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Sincero, eu espero,
Gui Morais.
23 anos, publicitário.
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