Marias

Ela balbuciava rezas enquanto injúrias lhe atormentavam a mente. Nada prestava em sua vida míngua. A vida, as pessoas, os caminhos percorridos, o amante perdido e até seu vestido lhe causava transtorno.

Mas havia certa poesia em seu sofrimento. Que a fazia refletir pouco, contendo-se em não achar as soluções que cessariam suas dores, forçando-se a sentir solidão, numa vastidão infinita de objetos que outrora colecionara.

“Antes tivesse colecionado pessoas”, murmurou entre uma Ave Maria e um creio. “Merda de vida”, concluiu.

Seu vestido, um dia rosado, agora sem vida. Com vestígio singular de um café tomado mais cedo, refletia a palidez da polidez com que levava os dias.

“Levava, nem sequer levo-os mais. Eles é que me levam. Me levam. Não levaram. Me atormentam. Não me levam. Apenas levam, aos poucos. Para que ainda pense em meus problemas.” Problemas que se resolveriam com um único esforço em se levantar. Mas um esforço que não estava disposta a tomar em seu peito. Nem sequer amava em seu leito. Tampouco se amava em respeito.

Apenas se olhava funda e profunda na profana refletida naquele gozo de vidro ilustrando a perdida mulher que se chamava em desprezo. “Desgraçado”, falou ao se deparar com o espelho. Que nada mais resumia quem hoje se tornara.

❤️


Sincero, eu espero,
Gui Morais.
22 anos, publicitário.
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